segunda-feira, 6 de junho de 2016

ABC

Governo quer transformar ABC em polo industrial da Defesa

São Bernardo - Para ampliar a capacidade tecnológica de construção de aviões que são usados pelo Ministério da Defesa, o Município de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, em conjunto com indústrias locais e sindicatos, realizou ontem uma rodada de negócios para discutir a viabilidade de se investir no setor. Para o assessor especial do Ministério da Defesa, José Genoíno, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, a região possui o necessário para a formação de um polo industrial que envolveria empresas nacionais, estrangeiras, centros de pesquisa e instituições de ensino superior. "O BNDES é um grande parceiro da indústria e queremos ajudar o setor a crescer no Brasil", disse Coutinho, para quem a região está preparada para este tipo de iniciativa. "Temos aqui um amplo parque fabril, com condições e mão de obra necessárias para se tornar um grande centro de tecnologia de ponta da região", diz.A intenção do governo, de acordo com Coutinho, é oferecer linhas de crédito para aqueles que se instalarem na região. Grupos internacionais do setor teriam um terço do capital das novas empresas e seriam obrigados a produzir no país. "Já estamos sendo procurados por multinacionais nesse sentido", esclareceu o executivo, sem citar quantas empresas já estariam interessadas no segmento. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, a conversa entre as empresas e a administração pública é um grande passo, inclusive para o trabalhador: "Vemos aqui uma oportunidade única de expandir nosso mercado de trabalho", diz.Da mesma opinião partilha o coronel Alexandre Lemos, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde). "Temos no ABC indústrias de plástico, químicas, de autopeças e automobilísticas. Isso significa que já há na região a infraestrutura necessária para o primeiro passo, além da mão de obra qualificada e universidades especializadas em tecnologia", afirma.Entre os interessados na construção dos aviões de combate das Forças Armadas Brasileiras (FAB), estão a francesa Rafale International, constituída por Dassault Aviation, Snecma e Thales, a sueca Saab (fabricante do Gripen) e a americana Boeing (fabricante do caça FA-18 Super Hornet). "As grandes indústrias nacionais já descobriram que o ABC é um dos palcos mais avançados para receber esse tipo de tecnologia dentro do Brasil", diz o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de SBC, Jefferson da Conceição. Sobre qual das duas empresas seria mais benéfica para o município, Conceição atrela a decisão ao governo federal. "Confiamos na escolha da presidente [Dilma Rousseff] sobre qual avião é o mais adequado para o Brasil; nossa intenção agora é apenas colocar São Bernardo na geografia da indústria nacional."De acordo com o chefe do Executivo da cidade, Luiz Marinho (PT), a entrada de São Bernardo para a geografia industrial de aviões não é uma afronta a outros polos. "Não quero comparar o ABC com o Vale do Paraíba, a intenção não é essa", disse. Para ele, existe a disposição de atrair novos investimentos que vão colaborar com o desenvolvimento de toda a região. "Eu ajo como um elemento agregador. Como no caso da Volkswagen que está disposta a construir uma nova unidade. Se for construir que seja aqui, se for ampliar que seja em São Bernardo, isto é importante", disse.O chefe do Executivo acredita que as linhas de crédito poderão vir das novas formas de economia brasileira, como o pré-sal. "A indústria de Defesa ressurge em um momento em que os olhos do mundo estão voltados ao Brasil."HistóricoPara atrair investimentos, um dos primeiros passos foi a Medida Provisória n. 544, publicada no final de setembro, que prevê a desoneração do setor e acelera licitações públicas, dando mais agilidade aos processos. Para Coutinho, quando medida similar foi adotada no setor de aviação, a Embraer cresceu. Agora o governo quer estender o programa a todos os setores ligados à indústria da Defesa. O primeiro passo para a ampliação tecnológica da cidade aconteceu este ano, com a inauguração do Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB). De acordo com os últimos dados liberados pela prefeitura, até setembro, havia 30 projetos ligados à indústria da Defesa estavam em andamento no centro. A iniciativa surgiu de um acordo entre a prefeitura de São Bernardo e a Saab. Em 2010, a União investiu R$ 7,2 bilhões em Defesa. Em 2011, a previsão é de que o governo destine 4,3% do PIB para Defesa.2.910Aviões

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